quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Desfile das Escolas de Samba de Segunda-Feira - Uma análise pessoal

Afim de completar os dois tópicos escritos anteriormente, vou expor aqui minhas impressões à cerca do SEGUNDO DIA de desfile das Escolas de Samba, nesta noite de segunda-feira na Marquês de Sapucaí - RJ.

É importante comentar, antes de mais nada, que desta vez poderemos ver fotos muito melhores, pois estas foram tiradas das arquibancadas do Setor 4. As anteriores haviam sido feitas do Setor popular (vista ruim toda vida...mas com uma acústica excelente!!!!), que estando a mais de 100 metros da avenida, qualquer grande aumento com zoom sem o uso de tripé, produzem fotos muito indicadas para fazer volume na lata de lixo.

As Escolas que desfilaram neste segundo dia foram, nesta ordem:

- 21hs: Unidos do Porto da Pedra
- entre 22:05hs e 22:20hs: Unidos da Tijuca
- entre 23:10hs e 23:30hs: Salgueiro
- entre 00:15hs e 01:00hs : Portela
- entre 01:20hs e 02:20hs : Imperatriz Leopoldinense
- entre 02:25hs e 03:40hs: Acadêmicos do Grande Rio
- entre03:30hs e 05:00hs: Beija-Flor

Além disso, é importante enfatizar que estes horários foram divulgados pela LIESA - Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, afim de garantir que NECESSÁRIAMENTE, as escolas estivessem desfilando dentro do tempo estimado. E, é claro, nenhuma das Escolas de Samba "furou" o tempo limite superior de 80 minutos. Portanto, nenhuma delas deverá ser penalizada com perda de pontos.


- Porto da Pedra:
Foi a peimeira escla a entrar na Marquês de Sapucaí nesta noite de segunda-feira. A escola com o samba "Preto-e-branco à cores", falou do apartheid, que assolou o povo sul-africano, e teve como maior símbolo da luta Nelson Mandela - o leão. Seu carro abre-alas nada convencional em comparação aos anteriores, trouxe o tigre símbolo da escola em cores diferentes - preto e branco. Falou assim das diferenças de raça e cor reduzindo-as a seus pontos semelhantes. Falou da injustiça social e fez paralelos com a realidade das "nossas lutas". Foi um belo desfile com exaltação e respeito às cores da escola. Um samba com refrão simples e altamente decorável. Entretanto, havia quem falasse que a bateria da escola passou muito fria. Eu, particularmente, gostei muito. Belas alegorias fizeram o show.



- Unidos da Tijuca:
A azul-amarelo do Morro do Boréu, da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, fincou o pé na avenida e mostrou logo de início que não estava de brincadeira. Com o samba-enredo "De lambida em lambida, a Tijuca dá um click na avenida", e desenvolveu de maneira extremamente rica, bela e criativa ,em seus 78 minutos de desfile, a história da fotografia, desde o lambe-lambe até as novíssimas câmeras digitais à prova d'água de alta resolução. Tema estranho? De maneira alguma, e pra falar disso, trouxe Dom Pedro II no controle de um lambe-lambe, em sua comissão de frente, dada a estima e curiosidade do Imperador pelo novo tema em seus primórdios. Falou também da curiosa lenda indígena à respeito do aprisionamento das almas humanas em fotografias (???!!!!), além, é claro, dos momentos da nossa história nos quais a fotografia serviu como extensão e ampliação da memória humana, como a menina queimada durante o bombardeio de napalm das forças americanas sobre o Vietnã e momentos da Segunda Grande Guerra. Falou dos momentos nos quais a máquina fotográfica é indispensável para nós. Final de campeonato, formatura, na escola, no show, em viagens e pontos turísticos como as Pirâmides de Gizé, a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade, etc etc.. O ponto máximo do desfile foi a belíssima bateria que piscava com chapéus adornados com flashes.

Particularmente, o momento mais belo foi a passagem do primeiro casal de mestre-sala e porta bendeira, que me emocionaram com uma combinação de dourado e azul que vai ficar na minha memória para sempre.




- Salgueiro:
Sem sombra de dúvidas, aqui no Rio de Janeiro, é possível traças um paralelo,em números, de torcedores entre os times de futebol e os admiradores das Escolas de Samba. Sendo assim, veremos que há Escolas que estão para o samba, assim como alguns times estão para o futebol. E uma destas escolas é o Salgueiro. Esta é uma das Escolas com maior número de torcedores, admiradores, amantes e apaixonados. E não é à toa. O Salgueiro fez um desfile de dar medo no que tange as barreiras do possível do impossível e do ''quanto vai custar isso tudo?". Falando das mulheres guerreiras das principais culturas no mundo, escreveu o refrão de seu samba em dialeto afro. Todo ele! Veja:
"Odoyá, Iemanjá,
Saluba Nanã,
Eparrei,Oya,
Oraye Yê o, Oxum,
Oba xi,Obá."

E isso sacudiu o sambódromo. Literalmente. Testemunhei uma platéia alegre e satisfeita diante de Cleópatra, Guerreiras Amazonas, Deusas-Orixás do sincretismo africano, feiticeiras, Deusas Indianas e muitas outras mulheres relembradas de maneira sutil entre fantasias, alegorias e adereços muito bem hornados em uma combinação de cores fatal: vermelho e dourado! O Salgueiro deixou a avenida sob uma enxurada de aplausos e gritos de "já ganhou". É carta marcada no sábado das campeãs.



- Portela:
A azul e branco de Madureira, escola de samba mais antiga do carnaval carioca. Tenho minhas dúvidas se não é a que postulou o "conceito de Escola de Samba", sendo portanto a mais antiga dentre quaisquer Escolas de Samba. A Portela é o "Flamengo" do samba. É a paixão do portelense. Há até quem seja mais portelense que flamenguista (tenho minha namorada como testemunha, portelense que só...).
Pude presenciar um colega de arquibancada chorar como uma criança quando a Portela foi anunciada ao microfone da Marquês de Sapucaí. Com a esposa, um casal de amigos e mais de 1,80m de altura, ele chamou o vendedor que passava na hora:
"-Pô irmão, me veja aí um cheeseburguer que eu acho que num tô legal...ai meu coração...ai minha Portela...Portelaaaaaaaa!" (um abraço, Roberto!)

A Portela aproveitou o ano PanAmericano do Brasil para explorar de maneira carinhosa e apaixonada um outro amor do brasileiro: o esporte. Trouxe para a avenida, como já de tradição, a águia símbolo da escola, brilhando com mais de 1 (um) milhão de LEDs azuis e totalmente mecanizada, como uma alegoria também para representar a águia símbolo de Zeus (e também do Deus Sol), o deus máximo do Olímpo.
A Escola Sacudiu o público como não faz à muito tempo, resgatando o prestígio dos seus velhos carnavais, à mais de 20 anos sem chegar ao primeiro lugar. Trouxe para a avenida atletas de renome dos esportes olímpicos brasileiros, como os irmãos Hipólito, Daiane dos Santos, Sebastian Pereira e outros.
Saiu da passarela do samba arrebatada pelos gritos de "é campeã....é campeã...", ficou em primeiro lugar geral na preferência do público (nota 9,7) e é uma das favoritas ao título.

Será um disparate se não voltar no sábado.



- Imperatriz Leopoldinense:
A Imperatriz é uma escola que não agrada quem quer sentir aquela energia do carnaval empolgação, mas certamente - e o número de vitórias não deixa mentir - agrada aos jurados. É a Escola com o típico "desfile técnico", como a carnavalesca Rosa Magalhães insiste em mostrar.

A Imperatriz não vem para agradar aos expectadores, e quase sempre é taxada como apática e sempre recebe as notas medianas (e caindo...) nas pesquisas de opinião. Mas é sempre um perigo às co-irmãs.
E não fugiu à regra. A Imperatriz contou a históia do bacalhau (o peixe) e prestou homenagem a Chacrinha. Com um samba carregado de pesquisas e fatos históricos, não descolou os traseiros das arquibancadas. Mas passou impecável! Calma, no tempo, certinha, e perigosa! Nos mííínimos detalhes. Fez o carnaval para juizes verem.


- Grande Rio:
A Escola que veio parqa a Sapucaí para contar a história de seu município-pai, Duque De Caxias, sendo de certa forma parte de sua própria história, não mostrou um desfile habitual no que se refere à magia e empolgação. Falou de figuras importantes para o município: deputado Tenório Cavalcante, conhecido como o homem da capa preta, o Terreiro de João da Goméia, a Igreja do Pilar e Zeca Pagodinho, que fez famoso o distrito de Xerém, onde tem um sítio que se tornou ícone de um samba de qualidade.
Com minhas sinceras desculpas, apesar de belíssima, acho que não representa um grande perigo para as demais escolas. Pode ser que desabroche no sábado das campeãs, mas infelizmente, virá desfalcada de uma alegoria que pegou fogo logo na dispersão, na Praça da Apoteose.


-Beija-Flor.
Como grande admirador do samba e brasileiro que sou, me vejo perfeitamente capaz de opinar sobre este assunto com total liberdade, assim como faria qualquer grande fã do samba. Não é preciso ser catedrático no assunto. O samba é democrático, não distingue cor nem raça, não vê posição social nem financeira e dá alegria ao coração de quem participa com amor e atenção.

Quem esteve na Passarela do Samba, mais precisamente no setor 4, de frente para o setor 11 (olá senhores jurados!!! I was watching you...), ou ainda nos setores populares, pode ver que a Beija-Flor de Nilópolis, apesar de bela e luxuosa, estava muito desorganizada. O senhor Neguinho atravessou a letra do samba umas duas vezes, os organizadores estavam com problemas nas alas, mais precisamente em movimentá-las e separá-las, além do "cebo nas canelas" nos 4 minutos finais para não estourar o tempo limite na avenida. Pudemos presencias o rompimento desorganizado da ala das baianas (ô, minhas senhoras...) que , numa tentativa de deixar despercebido, foi partida em 3 (três), afim de parecer algo planejado (veja última foto)

Onde já se viu? Planejar buracos na Escola? Atravessar o Samba? Lentamente introduzir uma intérprete feminina, assim "na calada", com o desfile próximo do fim, numa tentativa de reduzir a carga do inérprete principal? Em que estavam pensando? Que os jurados dos quesitos harmonia e evolução são o quê?

Eu sei a resposta: Eles são Beija-Flor, é isso que eles são. E cegos! E descarados!
Ah, já ia me esquecendo: o Império do Mal também é Beija-flor (leia-se Rede Globo)
Voltarei a falar disso no próximo tópico.

Um comentário:

  1. RENATO:
    PARABÉNS PELO SEU BLOG!
    LINDAS FOTOS!
    ADOREI AS QUE VI DA MINHA ESCOLA:SALGUEIRO!
    BJKS!
    SE PUDER,PASSE NO MEU FLOG:
    WWW.FLOGAO.COM.BR/MARYBAIANA

    MARY BAIANA DO SALGUEIRO

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