sexta-feira, fevereiro 23, 2007

E o Brasil está declarando guerra ao terrorismo?

Nesta quinta-feira dia 22/02/2007, foi publicado no Diário Oficial um decreto assinado pelo próprio Presidente da República - Luís Inácio Lula da Silva - que dá início à imposição de sanções à República Islâmica do Irã, conforme obriga a ONU, por conta da não interrupção do programa nuclear deste país.

O governo brasileiro decidiu que a partir de agora, uma série de medidas será tomadas para coagir de forma "diplomática" os interesses iranianos em avançar com seu programa nuclear. À grosso modo, significa que foi proibido o envio de material que possa ser usado no processo de construção de armas nucleares, como a fabricação de água pesada, manipulação e facilitação de matéria prima que poderiam ser usadas na fabricação de bombas atômicas e o congelamento imediato de fundos e ativos ligados à nomes e instituições envolvidos no financiamento do programa nuclear iraniano.

Mas tomar medidas contra o Irã?
Vejamos o que é o Irã:

O Irã, anteriormente (anteriormente = muito tempo atrás, mesmo!) chamado de Pérsia, já foi uma jóia no oriente. Hoje, sua capital chama-se Teerã , a moeda interna do país é o rial e o idioma é o persa. Dentre as nações islâmicas, é a única cuja língua oficial não é o árabe, como resultado da resistência às invasões destes povos.
Foi uma nação que, por conta de muitas resistências externas e internas, vem sofrendo ao longo da história com uma série de atos degradantes à sua soberania. Para se ter uma idéia, muito antes das longas roupas medievais usadas na europa, que tinham por objetivos abafar o mal-cheiro do usuário, fruto de fracos hábitos de assepcia, além de mostrar pompas com babados e fru-frus; muito antes mesmo da Europa se afundas na Idade Média, a Pérsia (o Irã) já possuía políticas internas de controle financeiro e fundos de aplicação com rendimento, além da existência de um sistema de seguro de vida (hoje um hábito saudável e inteligente das famílias americanas, sendo o único que a gente deveria copiar, mas não o fazemos...).

E hoje, o Irã é o que é.
Exemplo maior de decadência? Vejamos as ricas monarquias africanas, que foram derrubadas, saqueadas, destruidas e estirpadas da farta realidade daquele continente, dando origem à fotografias nada agradáveis, que poderíamos conhecer facilmente acessando nossos computadores pessoais, mas não o fazemos. É mais fácil e menos doloroso ficar alheio.

Se você perguntar à um iraniano o que ele acha das medidas do presidente deste país, Mahmoud Ahmadinejad, você verá ele dizer que apóia, corrobora totalmente, assina em baixo e roga a Alah que lhe aumente a sabedoria e dê vida longa. Verá também a magnitude da ignorância deste, que mal completou a parte básica de qualquer curso equivalente ao nosso Ensino Fundamental.
A parte culta da nação, está fora do país, estudando e trabalhando ao preço do salário de um nativo com cargo inferior ao seu. Este sim, é contra as medidas de Ahmadinejad.

Quando houve rumores de que o Irã seria atacado pelas Forças Israelenses, os iranianos que moram lá disseram que apóiam e ficariam do lado de Mahmoud. Já os "fugitivos", queriam ver o circo pegar fogo e, com sorte, cuminar com a queda de Ahmadinejad.

Para constar: Irã significa "terra dos arianos". Arianos no sentido étnico, e não no sentido religioso.
Ariano, como sabemos, deriva de Ares, que representa o deus da guerra na mitologia grega, e seu equivalente Marte, na cultura romana. Trata-se portanto de um paísque se orgulha de suas batalhas, já que guerrear em nome de Allah (Jihad) é um dos pilares do islamismo. Falar que hoje eles são uma nação indefesa, é um erro fatal. O material de guerra (mísseis, armas pesadas, explosivos etc) recentemente encontrados no Iraque, supostamente fornecidos pelo governo iraniano, é prova de que eles têm poder suficiente para escoar parte dele afim de contribuir com o aumento da violência no Iraque, atuando como subsídio para a resistência, contra as forças anglo-americanas.

Mas não podemos esquecer que esta é uma afirmação americana, e como a experiência é a mãe de todas as certezas, sabemos que palavra de americano é como qualidade de produto chinês: funciona bem à curto prazo, mas não se pode confiar naquilo que promete.

A questão é que não houve indignação da parte dos representantes, porta-vozes e mesmo o próprio presidente iraniano.
Já ouviram falar que onde há fumaça há fogo? O Iraque que o diga.

Voltemos ao posicionamento brasileiro diante da situação:
O Brasil está em busca de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Quando nós estamos disputando um emprego, a melhor manobra é mostrar do que somos capazes de fazer, e provar que somos alguém de quem o futuro empregador não deveria abrir mão.

Assim é com o Brasil. Para uma nação que deseja projeção internacional, respeito diante de suas propostas, voz influente e respeito a sua soberania, "mostrar serviço" é o melhor a fazer. Os EUA (cof cof...a ONU, desculpa...) e os países membros permanentes do conselho vão aprovar e admirar a posição brasileira. Mais uma meia-dúzia de atos assim, e a gente ganha uma indicação formal.

Mas esta atitude é apenas uma via no sentido contrário de outras três.

Uma, é o fato de que tendo o Brasil tomado esta medida diante da clareza de suas intenções, esta manobra acabaria se voltando contra nós evidenciando a falta de escrúpulos. Em outras palavras, pode não ajudar em nada, soando como uma "ajuda com interesses embutidos" e acabar sendo prejudicial.

A outra: sabe-se que o Brasil tem um programa nuclear de fins pacíficos, como já pode provar à inspetoria da Agência Internacional de Energia Atômica a pouco mais de um ano. Entretanto, trocar conhecimento é sempre bem vindo! Sancionar um país que poderia de alguma forma contribuir para a aceleração do projeto nuclear brasileiro (apenas uma hipótese, nada é totalmente impossível) é atirar pedras para cima do prórpio telhado.

A terceira - e particularmente mais picante - é que a Venezuela possui alguns laços fraternais com o Irã. A aliança de Hugo Chavez e Mahmoud Ahmadinejad contra a tirania americana é clara. Aliás, qualquer atitude que de alguma forma se opuser ao americanismo, soaria como música para os ouvidos do líder venezuelano. E para Chavez, Ahmadinejad soa como um Stradivarius nas mãos de Niccolò Paganini.
É fácil induzir que a atitude brasileira apenas tornaria possíveis discussões e divergências entre Brasília e Caracas muito mais inflamadas.

Enfim, a meu ver, o maior desafio para o Brasil no que se segue à esta decisão, será encontrar um ponto de equiíbrio entre seus interesses com a ONU, a opinião da comunidade internacional diante de nosso posicionamento, a compreenção venezuelana e o respeito à nossa soberania e liberdade de tomar amplas decisões visando nossos próprios interesses.
Isso sim é diplomacia.

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