sábado, maio 05, 2007

Nós fomos abandonados pela "Segurança Pública"

Ontem, sexta-feira dia 04 de maio de 2007, alguns bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro viveram eventos que estão se tornando uma trágica e perigosa rotina.

Por conta do assassinato de dois policiais enquanto faziam ronda num subúrbio da cidade, já faz quatro dias que a polícia, juntamente com o Batalhão de Operações Especiais - o BOPE - ocuparam algumas das principais favelas, e estão fazendo operações nas mesmas.

Por volta das 14:00 horas, eu ainda estava no trabalho quando minha namorada me ligou, avisando da situação no bairro onde moramos: o Cachambi. É um bairro próximo às principais vias de entrada e saída da cidade, à partir de onde se pode chegar rapidamente à baixada, aos aeroportos, à Avenida Brasil (Rio-São Paulo), Linha Amarela e Vermelha. Eu ainda estava na Ilha do Fundão, onde estudo e trabalho, na UFRJ. Quando o telefone tocou, era ela:

- Meu amor, estou te ligando para avisar que, quando votar, deve evitar passar por caminhos próximos à Favelo do Jacarezinho.

A
Favela do Jacarezinho é, na verdadee, um complexo de favelas, dos maiores da cidade.

A questão é: voltar para casa sem passar nas imediações desta "comunidade" é praticamente impossível: um dos ônibus que uso passa bem perto, e o outro passa por dentro de um trecho da favela, na avenida suburbana, em um lugar chamado Favela de Manguinhos.

Era por volta de 13:00 horas quando o confronto entre policiais e bandidos teve início. Fui informado de que os sons ecoavam pelas ruas do bairro como se fossem confrontos que aconteciam em cada esquina. Tiros de revólveres, pistolas, explosões de granadas, tiros de fuzis...

Quando contei isso no laboratório onde trabalho, o pessoal perguntou logo:
- Isso é onde, na Faixa de Gaza?

A
gora vejam: o lugar onde moramos é tão tranquilo que recebeu o apelido de uma das áresas de confronto mais famosas do mundo.

Quando consegui chegar em casa, e pensei em sair perto das 19:00 horas, o confronto recomeçou, e aquilo dava realmente muito medo de sair à rua.
agora vou deixar aqui a parte da questão que me deixa indignado:

* Quem está realmente errado? A polícia que só funciona quando matam um deles, passando aa agir assim em causa prórpia, ou nós, em morarmos perto das chamadas áreas de risco?

* A Anistia Internacional colocou um manifesto em seu site, contra o CAVEIRÃO, ou PASSIFICADOR, o carro de combate blindado com que a polícia resolve atuar quando algum tipo de retaliação acontece.
Gostaria de saber QUANTOS MEMBROS DA ANISTIA INTERNACIONAL E DOR DIREITOS HUMANOS mora próximo à favelas em confronto no Rio de Janeiro? QUANTOS MEMBROS DA ANISTIA INTERNACIONAL E DOS DIREITOS HUMANOS já tiveram alguma experiência desagradável relacionada a falta de segurança o Rio de Jaeniro? Quantos já foram assaltados, alvejados por balas perdidas e visitaram parentes em coma nos hostitais da cidade por conta disso? Até na ÁFRICA a guerra civil que consome o Rio de Janeiro já causou indignação. O que deveriamos então fazer? DAR AS MÃOS E DISTRIBUIR FLORES BRANCAS, VESTINDO CAMISETAS COM UM CRAÇÃO DESENHADO E ESCRITO VIVA RIO?

* Quando o governador solicitou o uso das Forças Armadas nas atividades de patrulhamento e coalisão ao crime, os comandantes do Exército falou: "-Estamos prontos, é só darem a ordem..."
Mas o Ministro da Defesa avisou que não permitiria, pois o exército está qualificado para usar armamento pesado, e não poderia ser usado em meio à cidade...

Volta e meia uma ou duas "bazuquinhas" são apreendidas nos morros. O helicóptero da Policia Civil voltou pra base crivado de balas. E com o que eles fazem isso? Estilingues, paus e pedras?


Estou cansado de ver estes eventos se tornarem rotina na cidade onde moro. Está tudo errado. Os "responsáveis" pela segurança pública deveriam governar para todos, com informações globalizadas, e não aquelas que eles obtêm observando a vizinhança além das suas janelas. A polícia deveria ser mais enérgica, e nunca apenas quando matam um ou dois policiais. Para eles, é a perda de um colega, mas para o povo, é só mais um que morre. Já estamos tão acostumados a perder pessoas que conhecemos.
A polícia deveria ser elitizada, ter um concurso de admissão dificílimo, um pagamento excelente e armamentos de ponta. É inadmissível que o narcotráfico tenha condições de obter, não interessa de que forma, armas do nível que eles possuem, e a polícia faça uso de fuxis como se fosse uma motosserra.

É deprimente, vergonhoso. Mais cedo ou mais tarde, a população vai acabar se votando de maneira ríspida e inesperada contra tudo isso.

Espero que possa ver esses dias...