domingo, fevereiro 15, 2009

Casos de preconceito contra brasileiros e estrangeiros na Europa se tornam cada vez mais frequentes.

Depois das notícias sobre a agressão contra a advogada brasileira Paula Oliveira, encontrei esta matéria do JBOnline, onde é tratada a situação da xonofobia e como ela está distriuida por alguns países europeus.

------------------------------------------------------------------------------------------------

Preconceito é rotina, dizem brasileiros na Europa

11:03 - 15/02/2009

Portal Terra

LISBOA - Embora as dúvidas estejam cada vez maiores sobre a versão da advogada Paula Oliveira, supostamente atacada por três neonazistas na Suíça, na última segunda-feira, brasileiros residentes na Europa afirmam que o preconceito suportado é quase diário. Mais comuns, os casos de brasileiros deportados em massa nos aeroportos da Espanha não são necessariamente os mais frustrantes para quem cruza o Atlântico.

No caso mais grave encontrado pela reportagem, um brasileiro com cidadania italiana foi acusado por um homicídio que não cometeu, durante uma estada de cinco dias no sul da Suíça. - Foi a pior experiência da minha vida. Tenho dificuldades até hoje de lembrar deste dia - relata Casagrande, que prefere não ter o nome completo divulgado.

Segundo o imigrante, que mora há 20 anos na Europa e há seis estabeleceu residência na França, a polícia o acusou apenas porque ele não era da região em que o tal crime havia sido praticado.

Casagrande estava de passagem por Lugano, na Suíça, onde pensava em morar depois de não aguentar mais o preconceito que sentia havia 10 anos na Itália, apesar de ter cidadania do país.

Ele contou que, ao ingressar na casa de uma amiga brasileira, foi abordado por policiais suíços que o acusavam de ter matado uma mulher naquele mesmo dia. - Eles nem quiseram me ouvir. Me agarraram, me algemaram, me levaram para a delegacia e lá tiraram toda a roupa, me tocaram por tudo - contou. - É uma indiferença completa com o estrangeiro como eu nunca vi igual - lamenta.

O último relatório do Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Suíça, de 2007, denuncia "um dinamismo xenófobo e racista" no país. Na época, o observador da organização, Doudou Diène, havia ficado espantado com o aumento exacerbado das preocupações ligadas à segurança, precisamente sobre o quanto os suíços relacionam os problemas de violência aos imigrantes estrangeiros.

Casagrande, que hoje tem dois filhos com uma francesa e mora na cidade de Bar-sur-Aube, só foi libertado pelos policiais oito horas depois, quando o verdadeiro assassino, suíço, confessou o crime. -Nunca mais boto os meus pés lá. A França também tem seu lado de preconceito, mas nada se compara à Suíça ou à Itália - afirma.

Liberdade, igualdade, fraternidade

Mas, para outros brasileiros que vivem na França, o país - berço dos Direitos do Homem - também não parece ser o lugar ideal para um estrangeiro viver. Por causa do preconceito que sofre no local de trabalho, a médica Juliana conta os dias para que a sua residência em um hospital parisiense termine. Há quatro meses morando na capital francesa, a jovem de 27 anos ficou espantada com as demonstrações de racismo dos colegas médicos franceses. - Simplesmente eu não imaginava que no país onde foi criada a célebre frase 'liberté, égalité et fraternité' (liberdade, igualdade e fraternidade) e, portanto, culturalmente desenvolvido, houvesse tanto racismo, disfarçado ou não. Sofro diariamente no hospital - afirmou Juliana. Ela conta que tem de suportar agressões psicológicas dos colegas, "pequenos episódios diários de ridicularização e comentários cheios de ironia".

Conforme a médica, os residentes franceses não sofrem qualquer discriminação, mas ela e os outros estrangeiros são constantemente alvo de deboches, além de serem responsáveis pelas tarefas menos importantes durante o curso.

- Sou uma imigrante temporária. Graças a Deus, tenho data para voltar para casa - afirmou. - Mas, se não tivesse, tenho certeza de que seria tratada com ainda mais hostilidade - concluiu.

Em geral, o problema não parece ter relação com a nacionalidade do estrangeiro e os brasileiros são tão visados pelos contrários à imigração quanto pessoas de outras origens.

Na França, por exemplo, o repúdio aos árabes com descendência magrebina - onde ficam boa parte das ex-colônias francesas - normalmente é bem maior do que às demais origens, assim como na Espanha a tolerância aos latino-americanos tem sido cada vez menor. No Reino Unido, até mesmo os poloneses começam a incomodar os britânicos.

A esperança de que ter fisionomia européia e boa condição social poderão evitar problemas na imigração não necessariamente se concretiza. Tatiana Dias, 30 anos, moradora de Zurique (Suíça) há dois, reclama que o sotaque estrangeiro é motivo recorrente para que seja menos bem tratada que os suíços, seja numa loja, num ônibus ou mesmo na rua.

A aparência discreta, a pele branca, os cabelos loiros e seu bom emprego não a livram do preconceito. -Eu abro a boca e já começam a me olhar diferente. Tenho a impressão de que só o sotaque já os irrita. Quando atendo ao celular em um ônibus, as pessoas ao redor imediatamente começam a me olhar com impaciência - diz Tatiana. - Uma vez, eu passeava tranquilamente em uma loja e me passava por qualquer suíça. Foi só começar a falar em espanhol com uma amiga que as vendedoras passaram a nos seguir pela loja. Um horror! - disse.

E quem pensa que ao morar em um país lusófono os problemas estarão terminados, se engana. - Os portugueses são extremamente xenófobos - atesta Liliane Alves Fernandes, que há um ano faz estudos de mestrado na Universidade de Évora, no sudeste de Portugal.

- Sou completamente ignorada em uma loja desde que abro a boca e percebem meu sotaque. Não tenho sequer uma amiga portuguesa - disse Liliane, que decidiu falar sobre o problema com outras amigas brasileiras e descobriu que todas passavam pela mesma situação. - Para completar, tenho um namorado português que somente há pouco tempo apresentou-me aos seus pais, por ter medo que eles me insultassem ou me menosprezassem - ressaltou.

O que mais a espanta, no entanto, é a imagem das brasileiras para os lusos. - Em Portugal, duas ou mais brasileiras juntas é sinal de casa de prostituição. Já me ofereceram dinheiro e tudo - contou. -Na televisão, os portugueses traduzem cenas envolvendo homens que vão a casa de prostituição como 'vamos às brasileiras'.

------------------------------------------------------------------------------------------------

Não que eu seja a favor de incentivarmos a xenofobia, mas sou à favor de começarmos a criar a cultura de tratamento recíproco: somos bem tratados na China? Então que os chineses sejam bem tratados. Somos mal tratados em Portugal? Então que eles também não encontrem hostpitalidade por aqui, e assim por diante.

Pode ser que pareça difícil essa de criar tratamento diferenciado, mas por outro lado é uma boa forma de exercitarmos a memória emocional e, assim, começaremos a nos lembrar mais das agressões que sofremos. Sejam de pessoas de outros países ou mesmo das que sofremos em nossa casa.

12 comentários:

  1. Anônimo1:27 PM

    Isso mesmo, cara.
    Brasileiro tem a mania de ficar tratando bem as pessoas estrangeiras e elas na maioria das vezes não estão nem aí.
    Já me deparei com uma portuguesa e comecei a lhe perguntar sobre sua cultura, sobre seus hábitos e ela começou a demonstrar impaciência.
    Agora, se não gostam de nós, terão de nos engolir. O Brasil já é a 10ª maior economia mundial. Mais cedo ou mais tarde a Europa e o resto do mundo precisará de nós, e aí será a nossa vez.

    ResponderExcluir
  2. Anônimo2:46 PM

    Tambem sou a favor da reciprocidade em matéria de tratamento. Devemos tratar bem quem bem nos trata!
    Porem tambem sou a favor do nosso governo ter dignidade e não ficar de 4 para povos que nos tratam de maneira humilhante.

    ResponderExcluir
  3. Anônimo8:08 PM

    É VERDADE ,

    os estrangeiros só nos tratam mal!!!!

    Quando eu entro no OMEGLE e falo que sou do BRASIL , eles logo me desconectam....

    Bando de idiotas branquelos azedos , AHAUSAHUAHSU

    (eu sou morena tipo a Isís Valverde)

    ResponderExcluir
  4. Fernanda6:51 PM

    Bom Pessoal, infelizmente descordo de vocês! Sou brasileira, assim como vocês, talvez se eu fosse puramente indígena pudesse ter esse pensamento, mas acredito que os índios também não possuem um pensamento egoísta em relação ao outro.
    Somos todos descendentes de alguém em algum lugar do mundo, mesmo dos africanos que vieram forçados para cá. Se fosse assim todos deveríamos arrumar as malas e voltar às nossas origens.
    Por isso que a humanidade vai mal.
    Sou totalmente contra qualquer prática preconceituosa ou xenófoba.
    Devemos protestar e não calar jamais diante disso, mas tratar com a mesma crueldade? Estaremos praticando o mesmo crime diante dos Direitos Humanos ou qualquer direito civil que preze pela igualdade entre as raças.

    Lutemos para que essa atitude totalmente fora dos padrões do altruísmo seja banida de nossa sociedade, foi por isso que um cara conseguiu exterminar mais de 6 milhões de judeus...

    Fernanda - professora de Geografia - lutando diariamente para acabar com qualquer tipo de preconceito em nossa sociedade

    ResponderExcluir
  5. Anônimo9:42 AM

    porque portugues tem preconceito contra brasileiros?

    ResponderExcluir
  6. Anônimo10:59 AM

    acham que o brasil ainda é pobre, seboso, chupador de sangue... mais nem vieram pra ca ainda esse bandinho.....

    ResponderExcluir
  7. Anônimo12:22 PM

    Todos os portugueses que conheço... todos sem excessãoo, tem mau hálito, cheiram suor o tempo todo e tem sebo por toda a casa. São egoístas, preconceituosos e extremamente imorais. Deviam olhar para si próprio...

    ResponderExcluir
  8. Anônimo11:03 AM

    é isso mesmo os basileiros(a) respeitam os estrangeiros mas os estrangeiros nao nos respeitam vc tem rasão

    ResponderExcluir
  9. Anônimo4:27 PM

    chamar portugues de burro tbm nao é preconceito?

    ResponderExcluir
  10. Me perguntaram se chamar português de burro não é preconceito. Não me lembro de ter publicado em minhas palavras (início e fim da postagem) que acho português burro. Não entendo o sentido da pergunta. POR OUTRO LADO, sou filho-neto de portugueses e, até onde sei, em PORTUGAL fazem-se piadas de "brasileiro burro", assim como se faz aqui de "português burro". O que eu disse é que sou A FAVOR DA RECIPROCIDADE, mesmo que ela seja em algo tão insignificante, como as brincadeiras entre as nações e seus gentis. Acho que toda brincadeira tem um fundo de verdade. Portanto, acho que O ANÔNIMO que perguntou se chamar português de burro não é preconceito deveria ver como sua imagem é vista internacionalmente.
    Esta postagem é antiga, mas acho que o debate é sempre atual.
    Sou a favor, por exemplo, da postura ISRAELENSE. Todo mundo achou horrível e descabido o excesso de força usado para abordar aquele navio de ajuda humanitária a uns meses atrás, mas por outro lado há que ser vista a força israelense em "bater o pé" e assegurar sua força e seu direito a lidar com suas questões internas da forma que achar melhor. Eu repudio o uso excessivo de força, mas admiro a coragem de ISRAEL em fazer valer sua opinião, mesmo que às custas da opinião internacional.
    Todo mundo viu o James Cameron e a Sigourney Weaver se metendo na questão ambiental brasileira no que tange a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Mas alguém fiu eles opinarem a respeito do vasamento de petróleo de quase 3 meses no Golfo do México?
    Pensem mais antes de criticar a opinião do Brasil em relação aos outros e vejam como eles opinão sobre nós.

    ResponderExcluir
  11. Anônimo9:24 AM

    se portugal hoje está de pé,deve ao cabral que foi pro brasil roubar nosso ouro,prata,viram lá as indias,nunca mais voltaram pra portugal,desde 1.500 as portuguesas são trocadas pelas brasileiras,isso é que elas não engolem,em portugal dissem que somos todas prostititas,mas vivo em portugal á 5 anos,e conheço várias prostitutas portuguesas,acho que cada um vez o que quiser das suas vidas,ninguém paga as contas de ningue´m,pior que isso é matar e roubar o que é dos outros,como fez o tal do cabral,acho que do mesmo jeito que os portugueses não nos querem em portugal,tinhamos que por pra correr os portugueses que foram pro brasil,pra acabar com esta merda de preconceito tinha que ficar cada um no teu país e pronto,só não fui embora ainda porque meu marido não deixa,mas quando voltar pro brasil,vou rasgar o passaporte,descobri que o melhor lugar do mundo é o meu país,tenho muita sorte em ser brasileira,vendo como estes europeus são uns tristes,ignorantes,cafonas,eles tem é inveja da beleza das brasileiras,e da alegria de viver do nosso povo,vivi o brasil,se deus quiser vamos crescer cada vez mais e não vamoa precisar mais sair do país que amamos pra ter uma vida melhor,um abraço a todos os brasileiros,kelly

    ResponderExcluir
  12. Anônimo7:51 PM

    Eu moro na Italia para estudar e sofro preconceito sim. Ja se recusaram a me alugar apartamento e a ser atendida em hospital, por exemplo (com seguro medico e tudo). Mas tenho que dizer tbem que sempre teve alguem para me ajudar, inclusive nessas situacoes. Eu conheci mais pessoas boas do que pessoas preconceituosas. Tbem ja sofri preconceito no Brasil (de genero, de profissao, de idade, de religiao). Acredito no velho cliche: tem gente boa e ruim em todo lugar. Mas tbem nao nego: sofro preconceito na Europa.

    ResponderExcluir