quarta-feira, dezembro 30, 2009

O Futuro da música digital e como a Apple vai traçá-lo

Pessoal, encontrei uma notícia em um site português muito interessante (http://www.ionline.pt) que diz como a Apple está contribuindo para a cara da música como conhecermos se tornar totalmente diferente.

Segue o texto na íntegra, e o link para lerem no site original. A fonte final é o New York Times. http://www.ionline.pt/conteudo/38377-o-futuro-da-musica-nao-cabe-num-ipod-e-apple-sabe

O futuro da música não cabe num iPod. E a Apple sabe

A multinacional americana comprou o serviço Lala com um objectivo: construir uma jukebox ilimitada na web

Este mês, a compra pela Apple do Lala, um serviço de música na web, pode ser o prenúncio do futuro da música.
Nesse futuro, os ficheiros digitais de música existentes nos computadores das pessoas podem acabar por ir fazer companhia aos discos de vinil, às cassetes de música e aos CD nas caves poeirentas dos formatos obsoletos de música.
Em vez disso, os adeptos de música irão servir-se dos seus computadores, permanentemente em rede, e dos telemóveis de última geração, para visitarem uma vasta jukebox na internet onde canto gregoriano, faixas de Lady Gaga e os vários séculos de música entre ambos estarão imediatamente acessíveis.
A ideia de uma jukebox sem limites no horizonte - ou, em linguajar técnico, "in the cloud" (nas nuvens) - já anda por aí há algum tempo, mas tem vindo a consumir os executivos do mundo musical que agora associam a palavra "funk" a algo mais do que um mero género musical. O sector musical, que costumava ter 40 mil milhões de dólares de vendas anuais há uma década, atinge actualmente metade desse valor. Mais assustador ainda é o facto de o crescimento da receita com as transferências de música digital - ainda só um quinto do total das vendas - estar a abrandar.
O negócio com o pouco conhecido Lala foi pequeno do ponto de vista da Apple. O preço foi acima de 80 milhões de dólares, como disse uma pessoa abordada a propósito das condições do negócio. Contudo, a transacção está a gerar muito interesse pelo que poderá significar relativamente aos planos da Apple quanto à música em transmissão contínua (streaming).
Tendo cerca de 2 mil milhões de dólares de receitas com o iTunes, a Apple está em boa posição para orientar os consumidores ao longo do processo de armazenamento das respectivas colecções de música nos servidores web e de a ouvirem de novas maneiras. Também pode incorporar totalmente um serviço musical desse tipo no iPhone, no iPod Touch e em todos os outros dispositivos existentes ou futuros da Apple que tenham ligação à internet.
Outros desenvolvimentos recentes nos sectores da música e da tecnologia também apontam para uma mudança iminente na abordagem centenária à música, segundo a qual as pessoas consideravam que era qualquer coisa que possuíam, nos diferentes formatos físicos ou em formato digital nos seus computadores. Os consumidores importam -se menos com o modo como a música é disponibilizada do que com as novas maneiras de partilharem e descobrirem música com os amigos.
As jovens empresas tecnológicas esperam há anos que a existência de uma ampla selecção e a comodidade proporcionada pela oferta de música baseada na web venham a aliciar as pessoas a gastarem algum dinheiro numa assinatura mensal. O negócio, para empresas como a Rhapsody, propriedade conjunta da RealNetworks e da MTV, e a Napster, uma subsidiária da Best Buy, ainda não revelou todo o seu verdadeiro potencial.
Contudo, com o atractivo adicional de tais serviços poderem agora ser acessíveis nos telemóveis, muitos empresários estão a reconsiderar esse modelo. "Não há nada de sexy num MP3 no nosso computador", diz David Hyman, executivo- -chefe da Mog, que este mês lançou um serviço de assinatura chamado Mog All Access. "Penso que os consumidores não se importam com o lugar onde a música está armazenada desde que possam aceder-lhe quando quiserem."
Nem todos concordam em que a música nas nuvens irá ser uma boa oportunidade para a indústria musical. Os críticos dizem que as ligações sem fios ainda não têm fiabilidade suficiente para fornecerem um fluxo constante de música para dispositivos móveis. Também os preocupa o facto de as empresas de tecnologia sem fios poderem aumentar as tarifas de transferência de dados à medida que os fluxos de música e de vídeo se tornarem mais populares.
Parece provável que a ideia de possuir música nunca venha a desaparecer e que novos métodos de lhe aceder coexistam com os antigos. "Gosto de ter discos rígidos externos que são um manancial de música", diz. "Se os coleccionarmos, ficamos com uma musicoteca. Descobrimos novos géneros todos os anos, percorremos a colecção e vemos o que temos. É agradável."
Bob Lefsetz, que escreve num influente boletim da indústria discográfica, a Lefsetz Letter, reconhece que algumas pessoas se irritam com a ideia de não possuírem música, mas comparou essa reacção à de quem dantes dizia que nunca alugaria uma cassete de vídeo.
"Se perguntar hoje a alguém, vão dizer--lhe 'tem de ser minha'. Mas, logo que exista esse serviço, o discurso passará a ser: 'porque haveria de possuir música se tenho acesso a tudo?"'

Exclusivo i

The New York Times

É isso aí……